quarta-feira, 15 de junho de 2011

INSERÇÃO DO SOROPOSITIVO NO MERCADO DE TRABALHO

Ativistas apontam dificuldade na reinserção de soropositivos no mercado de trabalho

     Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo e publicado nesta terça-feira, a Previdência Social poderá ter uma despesa adicional superior a R$ 1 bilhão por ano se o pagamento de auxílio-doença continuar aumentando no ritmo acelerado observado nos últimos meses. (Leia essa notícia na íntegra aqui)
      De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde no final de 2009, 58% dos soropositivos que vivem no Brasil não trabalham. Se for feito um calculo de proporção tomando como base a estimativa do governo de que cerca de 630 mil pessoas têm HIV ou aids no país, aproximadamente 365 mil portadores do vírus estariam sem um emprego formal.
      Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo estudo, também revelam que mais de 20% dos 1.260 pacientes ouvidos perderam o emprego após o diagnóstico da doença.

  • Os homens citaram a aposentadoria por doença (31,3%), a incapacidade para o trabalho (14,7%) e o recebimento de auxílio-doença (24,6%) como os principais motivos para não estarem trabalhando.
  • No grupo de mulheres, 28% são donas de casa, 15,4% foram aposentadas por causa da aids, 11% relataram incapacidade para o trabalho e 15,4% recebem auxílio-doença.
     Os pesquisadores analisaram ainda os principais fatores associados à autoavaliação do estado de saúde dos pacientes como excelente ou boa. Fatores sociais como escolaridade e renda tiveram impacto positivo.

Segundo o estudo, soropositivos com pelo menos o ensino fundamental completo têm 70% mais chances de fazer uma boa avaliação de sua saúde do que aqueles com ensino fundamental incompleto. Quem pertence às classes sociais A e B apresentam duas vezes mais chances de ter boa avaliação do que os das classes D ou E.
     Ativistas apontam dificuldade na reinserção de soropositivos no mercado de trabalhoFormado em publicidade, Hugo Hagström, de 50 anos, integra a diretoria do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), de São Paulo. Para ele, a “desaposentadoria” das pessoas com HIV e aids é um dos principais desafios da resposta brasileira contra a epidemia.
“Conheço várias pessoas que estão tendo que voltar ao trabalho depois de anos fora. Agora, imagina, uma pessoa com 50 anos, há 15 anos sem um trabalho formal, totalmente defasada no mercado, tendo que voltar ao trabalho. Além de tudo isso, ela retorna com o rótulo de ser uma portadora do HIV”, conta.
Para ele, o governo precisa criar algum plano em conjunto com as empresas para absorver aqueles que se aposentaram por invalidez, mas que hoje, por conta dos avanços no tratamento da aids, se sentem bem para trabalhar.
 “Os portadores do HIV não mordem e não matam. Deveria haver uma política contra o estigma dentro e fora do local de trabalho”, comentou.Silvia Almeida, de 47 anos, recebeu apoio da empresa que trabalha, a mineradora multinacional Anglo American, e não precisou se aposentar. 
“Esse apoio foi essencial para a minha saúde e para me tornar hoje uma militante pela causa da aids”, disse. 

Desde 1992, a empresa presta atendimento aos empregados com HIV e aids, distribuindo medicamentos. Antes mesmo do governo brasileiro fornecer gratuitamente o coquetel antirretroviral para todos, a Anglo American já fornecia.Com mais de 26 anos de empresa, Silvia foi promovida de telefonista para assistente de Responsabilidade Social e hoje coordena nacionalmente os projetos antiaids da Anglo American. No entanto, ela reconhece que o seu caso não é muito comum no país.
 “A reinserção dos soropositivos no mercado de trabalho ainda é um grande problema no Brasil”, finalizou.
Redação da Agência de Notícias da Aids  -14/06/2011 - 17h20

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